Crítica de 'Garotas do ABC', por Eduardo Simões. Publicado el 27/08/2004, em jornal O Globo (Brasil).
Um châo pouco pisado pelo cinema brasileiro e uma ediçâo criativa contam pontos a favor de Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach. No entanto, talvez por terem sido concebidos para uma série de filmes, os tantos personagens do filme sofrem de pouca profundidade, como se contassem com os próximos capítulos da saga das operárias para reforçar seus contornos. Ponto contra.
A trama gira, de inicio, em torno da tecelâ Aurélia (Michelle Valle), fâ de Arnold Schwarzenegger e namorada de Fábio (Fernando Pavão), integrante de um grupo que persegue nordestinos e negros. Um tanto sem liga, o vaivém do foco íntimo e pessoal (Aurélia, seu namoro e suas relaçôes familiares) para o coletivo (a fábrica e o clube que ela e as colegas freqüentam) acaban amomando a trama.
Também deixam a desejar as atuaçôes: as atrizes estreantes estão hesitantes, e os mais experientes, como Adriano Stuart e Selton Mello, estâo caricaturais. O saldo, no entanto, é um trabalho original, que desperta curiosidade pelo restante da série de Reichenbach.
Eduardo Simões
