Biofilmografía de João Botelho.
João Botelho nasceu em Lamego a 11 de Maio de 1949.
Frequentou a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Durante os tempos de estudante foi dirigente do Centro de Iniciação Teatral e Académica de Coimbra (CITAC) e membro dos Cineclubes de Coimbra e do Porto, onde consolidou a sua formação cinematográfica.
Mais tarde, a partir de 1970, lecionou na Escola Técnica de Matosinhos e trabalhou como ilustrador de livros infantis e designer gráfico. Nesta área destaca-se a sua colaboração com Manuel António Pina.
Em 1974 estudou na Escola Superior de Cinema do Conservatório Nacional e no ano seguinte fundou a Revista M, decorrente da sua atividade de crítico da 7.ª Arte.
Iniciou a carreira de realizador em 1977 com 2 curtas-metragens para a Rádio Televisão Portuguesa e com o documentário de longa-metragem «Os Bonecos de Santo Aleixo», para a cooperativa Paz dos Reis.
A sua primeira longa-metragem, Conversa Acabada, data de 1981 e nasceu da correspondência trocada entre os poetas Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.
Quatro anos mais tarde, notabilizou-se por ser um dos primeiros cineastas a explorar o tema da Guerra Colonial, no filme Um Adeus Português, elogiado pela crítica e merecedor de diversos prémios internacionais.
Em 1988 adaptou, a preto e branco, o romance Hard Times, de Charles Dickens (1854).
Na década de 90 experimentou o telefilme com No Dia dos Meus Anos (1992), integrado na série Os Quatro Elementos, da RTP, assinou Aqui na Terra (1993), uma co-produção luso-britânica sobre um economista na crise de meia idade, fez um conjunto de pequenas histórias a que chamou Três Palmeiras (1994) para o projeto Lisboa, 24 Horas, inserido na programação de Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura, estreou-se no território da comédia com Tráfico (1998) e nas comemorações dos 25 anos da Revolução de Abril realizou o documentário Se a Memória Existe.
Em 2001 lançou Quem és tu?, uma adaptação da peça garrettiana «Frei Luís de Sousa», à qual adicionou um prólogo sobre o sebastianismo e o vídeo As Mãos e as Pedras, exibido na abertura do Porto 2001 – Capital Cultural da Europa.
No ano seguinte voltou à comédia com A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos (2002), uma sátira ao incompetente exercício do poder e, em 2008, o seu filme A Corte do Norte, baseado num romance da escritora Agustina Bessa-Luís e no claro-escuro do pintor Caravaggio, integrou a seleção do III Festival Internacional do Filme de Roma.
Em 2006, João Botelho participou na nona edição do ciclo Quatro + 1 / Semana do Cinema Português, uma iniciativa do Culturporto que teve lugar no Rivoli, na qual o cineasta foi desafiado a apresentar uma das suas obras e escolher mais quatro outros realizadores. João Botelho escolheu os filmes Amor de Perdição, de Manoel de Oliveira (1979), Ana, de António Reis e Margarida Cordeiro (1985), Uma Abelha na Chuva (1972), de Fernando Lopes, o documentário Vilarinho das Furnas, de António Campos (1971) e a sua adaptação da obra Tempos Difíceis do romance homónimo de Charles Dickens.
Este profissional polivalente, realizador de inúmeros filmes de diferentes géneros, associou-se a muitos outros como assistente de realização ou até como decorador.
João Botelho tem filmes premiados em festivais nacionais e internacionais (Figueira da Foz, Antuérpia, Rio de Janeiro, Veneza, Berlim, Salsomaggiore, Pesaro, Belfort, Cartagena, etc.), tendo sido laureado por duas vezes com o prémio da OCIC, da Casa da Imprensa e de os Sete de Ouro e viu todas as suas longas-metragens exibidas comercialmente em Portugal, grande parte delas em França e algumas delas em Inglaterra, na Alemanha, em Itália, em Espanha e no Japão.
Em 1996 foi tema de retrospetivas em Bergamo (1996), com direito a edição de uma monografia, e a uma outra em La Rochelle (1998).
É sócio-fundador da Produtora «39 Degraus» (2000) e sócio nº 2645 da Associação dos Amigos do Museu do Douro.
Em 2010 João Botelho rodou o Filme do Desassossego que, segundo o próprio, é uma versão curta da obra Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, semi-heterónimo do poeta Fernando Pessoa.
Em 2014 levou às salas dos cinemas Os Maias – Cenas da Vida Romântica, filme que adapta o romance de Eça de Queiroz.
FILMOGRAFÍA
Um Projecto de Educação Popular (1976) Documentário
O Alto do Cobre (1976)
Alexandre e Rosa (1978) Curta
Conversa Acabada (1981)
Um Adeus Português (1986)
Tiempos difíciles (1988)
No Dia dos Meus Anos (1992)
Aqui na Terra (1993)
Três Palmeiras (1994)
Tráfico (1998)
Quem És Tu? (2001)
A Mulher que Acreditava Ser Presidente Dos EUA (2003)
O Fatalista (2005)
A Luz na Ria Formosa (2005)
A Corte do Norte (2008)
Filme do Desassossego (2010)
Os Maias – Cenas da Vida Romântica (2014)
A Arte da Luz tem 20.000 (2014) Documentário
O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016) Documentário
