Entrevista a Gregório Graziosi, director de 'Obra', por Rodrigo Salem. Publicada en Folha de S. Paulo, el 25 de octubre de 2014
Único longa brasileiro presente no Festival de Toronto, principal porto de lançamentos na América do Norte, «Obra», de Gregorio Graziosi, é um filme que discute o futuro tentando desvendar o passado –tema ambicioso para quem só havia feito curtas, mesmo com passagem pelos festivais de Locarno e de Cannes.
«São Paulo é uma cidade onde não há uma preocupação com o passado neste mar de arranha-céus», diz o cineasta de 31 anos, antes da segunda apresentação do filme no Canadá. «Desde que comecei a trabalhar no projeto, vi São Paulo parecida com a cidade do futuro de Metrópolis’, de Fritz Lang. Só que envelhecida.»
SEM CHÃO NEM CÉU
Para esse clima «distópico semi-apocalíptico», ele e a equipe do diretor de fotografia André Brandão fizeram quatro meses de pesquisas.
«A pesquisa de locação foi meticulosa. Fomos a 20 prédios da região da avenida 9 de Julho para achar uma imagem que lembrasse Metrópolis'», conta Brandão. «A ideia era até mais radical, de nunca mostrar o chão ou o céu, porque São Paulo tem esse clima claustrofóbico.»
O roteiro, escrito há dois anos, segue um arquiteto (Irandhir Santos) que repensa sua vida, seu papel e a própria família após um capataz (Julio Andrade) desenterrar corpos em uma escavação.
«Me falaram que era uma ficção científica emocional», diz Graziosi, que abusa da câmera estática, dos momentos silenciosos e das locações.
«Foi um roteiro conciso, sem trilha e pensando a captação do som como ambiência emocional. É um filme que tem uma relação grande com a arquitetura.»
